A 23 de outubro, realizámos um passeio literário, dirigido às estudantes do ensino secundário da nossa CAR, que teve por convidado Eça de Queirós.
As nossas jovens aderiram desde o primeiro momento à atividade, mesmo que, de início, não soubessem ainda, concretamente, o que as esperava. Com efeito, no dia anterior à realização da atividade foram-lhes deixadas algumas pistas num envelope. Lá dentro encontrariam, para além de um poema, as peças de um puzzle. Uma vez reunidas, as peças entregues dariam origem a uma caricatura de Eça de Queirós! O puzzle completou-se já no local onde decorreu a primeira parte da atividade: junto à Capelinha de Nossa Senhora da Conceição, em Penamacor, local escolhido não só pelo facto de oferecer uma vista privilegiada sobre a malha urbana da vila, bem como pela vista privilegiada sobre um outro local, importante para este nosso passeio literário que, adiante, revelaremos. Uma vez identificado o autor de que nos ocuparíamos neste passeio, foram apresentados alguns dados biográficos sobre o mesmo, tendo por base dois documentos essenciais: a biografia do escritor, da autoria de Maria Filomena Mónica, bem como um dos volumes de correspondência de Eça de Queirós.
Chegou, entretanto, a hora de revelar que depois da morte de Eça, ocorrida em 1900, a sua viúva e filhos, se recolheram a Penamacor, já que Emília, viúva do escritor, era irmã de Benedita de Castro Pamplona, por sua vez casada com Luís Osório, e com casa em Penamacor. Veja-se, a este propósito, que depois de ter lido a primeira edição de A Cidade e as Serras, Emília confessava a Ramalho Ortigão: «Quanto desejo irrealizado eu vejo naquele livro! Ele tanto apetecia viver no campo, em Portugal! Nestes bons ares de Penamacor, todos os dias eu penso como a sua saúde teria melhorado, se tivéssemos com efeito deixado a cidade e vindo para as serras viver a vida simples! Mas ele só pensava nisso como um fim de vida e esse fim ainda nos parecia longe!»
Mais se disse que alguns relatos dão conta de que o próprio escritor, uma ou outra vez, tenha estado em Penamacor. Estava encontrado o segundo motivo que nos levou a escolher aquele local, visto que oferece vista privilegiada sobre a propriedade que então pertencia a Benedita, cunhada do escritor. A acreditar que Eça aqui tenha estado, a paisagem que tínhamos pela frente seria, por certo, uma das que o escritor mais terá contemplado…
Depois, num segundo momento, num parque de merendas, fizemos um marcador de livros e terminámos esta tarde com um lanche… a que também juntámos algumas palavras queirosianas!
Partilhamos algumas fotografias desta tarde… recheada de Literatura!